João Baptista Cambusano e seu filho João Baptista Cambusano Filho, o Du Cambusano, representam juntos um dos capítulos mais importantes da memória cultural de Jacareí. Pai e filho dedicaram suas vidas a registrar pessoas, histórias e acontecimentos que moldaram a cidade ao longo do século XX. João, pioneiro da fotografia local, fundou o primeiro estúdio fotográfico fixo de Jacareí e construiu um acervo que eternizou gerações inteiras. Du, formado desde a infância no Estúdio Cambusano, deu continuidade a esse legado por décadas, ao mesmo tempo em que marcou a vida esportiva da cidade como jogador, dirigente e árbitro respeitado. Mais do que fotógrafos, foram guardiões da memória e da identidade jacareiense, unindo trabalho, simplicidade e profundo compromisso com a comunidade.
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| Foto: João e Du Cambusano estudiocambusano.wixsite.com/foto Reprodução |
João Baptista Cambusano: o homem que fotografou a
história de Jacareí
Falar sobre João Baptista Cambusano é falar sobre a própria
memória visual de Jacareí. Durante mais de três décadas, seu nome esteve
diretamente ligado à fotografia na cidade, registrando rostos, famílias,
festas, casamentos e acontecimentos que hoje fazem parte do imaginário coletivo
de gerações inteiras.
Filho de imigrantes italianos, João nasceu em 17 de dezembro
de 1895, na região de Sorocaba, interior de São Paulo. Seus pais, Martino
Cambusano e Domenica Albri, chegaram ao Brasil em 1893, em um período marcado
pela forte imigração europeia incentivada pelo governo paulista para suprir a
mão de obra nas lavouras de café. A vida nas fazendas era dura, sem acesso a
serviços básicos, e João ficou órfão ainda criança, após perder os pais vítimas
de doenças comuns entre os colonos.
Da infância difícil ao primeiro ofício
Após ficar órfão, João foi adotado por um padre e levado
para um colégio católico, onde recebeu educação formal e aprendeu o ofício de
encadernador. Essa formação foi fundamental para que ele pudesse romper com o
ciclo de trabalho rural e construir uma trajetória própria. Ainda jovem,
mudou-se para Itu, onde se casou com Joanna Boff em 1919 e iniciou sua família.
Pouco tempo depois, em 1921, o casal se estabeleceu em
Jacareí. João passou a trabalhar no Colégio São Miguel como mestre de
encadernação, mas logo percebeu que poderia empreender e ampliar suas
possibilidades profissionais.
O nascimento do Estúdio Cambusano
Em 1926, ao lado do sócio Amaral, João fundou o Foto
Estática Cambusano, considerado o primeiro estúdio fotográfico fixo e
legalmente constituído da cidade. Autodidata, ele aprendeu fotografia por meio
da observação, da prática e da troca de conhecimentos com outros profissionais.
O estúdio rapidamente se tornou referência. Em uma época em
que câmeras eram raras e o acesso à fotografia era limitado, o Estúdio
Cambusano passou a ser o local onde as pessoas registravam momentos importantes
de suas vidas. Ali eram feitos retratos individuais, fotos de família,
registros de casamento, fotografias de artistas que passavam pela cidade e até
imagens fúnebres, comuns naquele período como forma de lembrança dos entes
queridos.
Uma empresa familiar e formadora de gerações
João nunca trabalhou sozinho. Sua esposa e seus filhos
participaram ativamente da rotina do estúdio, aprendendo todas as etapas do
processo fotográfico, desde a captura da imagem até a revelação, ampliação e
retoque manual dos negativos.
Além da própria família, João também ensinava quem
demonstrasse interesse. Muitos fotógrafos locais deram os primeiros passos
observando seu trabalho, aprendendo técnicas no pequeno laboratório iluminado
apenas por uma lâmpada vermelha.
Com equipamentos pesados, câmeras de fole, tripés e produtos
químicos preparados manualmente, João e os filhos percorreram a cidade e a zona
rural para registrar festas religiosas, romarias, eventos comunitários e
celebrações populares, como a tradicional Festa da Carpição.
O homem por trás da câmera
Reservado, disciplinado e de poucas palavras, João mantinha
uma rotina rígida. Acordava cedo, abria o estúdio às sete da manhã e trabalhava
até o início da noite. Apesar da vida simples, era conhecido pela generosidade,
pela paciência e pelo respeito com que tratava clientes, amigos e aprendizes.
Para muitos moradores, o Estúdio Cambusano foi o primeiro e,
em muitos casos, o único lugar onde tiveram uma fotografia profissional ao
longo da vida. Estima-se que, durante décadas, centenas de pessoas fossem
fotografadas diariamente, criando um dos maiores acervos visuais da história de
Jacareí.
Os últimos anos e o legado
João Baptista Cambusano faleceu em 29 de dezembro de 1958,
vítima de câncer no pulmão. Seu velório aconteceu no próprio estúdio, e a
cidade se reuniu para se despedir de um homem que havia registrado a vida de
praticamente toda uma geração.
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| Foto: João Cambusano estudiocambusano.wixsite.com/foto Reprodução |
Após sua morte, os filhos continuaram o trabalho, mantendo o
Estúdio Cambusano em funcionamento até 1993, quando foi definitivamente
fechado. Ao encerrar suas atividades, não se fechou apenas uma empresa, mas um
capítulo inteiro da história cultural da cidade.
Hoje, o nome de João Baptista Cambusano permanece vivo na memória coletiva de Jacareí, na rua que leva seu nome e, principalmente, nas milhares de fotografias que continuam guardando rostos, afetos e histórias. Seu legado não está apenas nas imagens, mas na consciência de que preservar a memória é também uma forma de cuidar da identidade de um povo.
Du Cambusano: entre a fotografia e o esporte, um nome que
marcou Jacareí
Falar de Du Cambusano é falar de uma geração inteira de
jacareienses que cresceu entre o Estúdio Cambusano e os campos de futebol da
cidade. Conhecido pelo apelido que surgiu ainda na infância, Du era, na
verdade, João Baptista Cambusano Filho, herdeiro de uma das histórias mais
importantes da fotografia local.
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| Foto: estudiocambusano.wixsite.com/foto Reprodução |
Nascido em 24 de junho de 1929, na rua Dr. Pompílio
Mercadante, Du era o terceiro filho de João e Joanna Cambusano. Cresceu em uma
família simples, numerosa e profundamente ligada ao trabalho. Desde muito cedo,
aprendeu que precisava contribuir com a renda da casa e encontrou no estúdio do
pai não apenas uma obrigação, mas um caminho de vida.
Infância e formação no Estúdio Cambusano
Du estudou apenas até a quarta série, realidade comum para
muitas crianças da época. Ainda menino, começou a frequentar diariamente o
Estúdio Cambusano, onde aprendeu, na prática, todas as etapas do processo
fotográfico. Revelar filmes, preparar soluções químicas, ampliar fotografias e
atender clientes se tornaram atividades naturais em sua rotina.
Mais do que aprender uma profissão, Du absorveu valores. O
estúdio era também um espaço de convivência, disciplina, respeito e
aprendizado. Foi ali que construiu sua identidade profissional e desenvolveu o
amor pela fotografia, sempre ao lado do pai e dos irmãos.
A vida no esporte e a paixão pelo futebol
Paralelamente ao trabalho no estúdio, Du desenvolveu uma
forte ligação com o esporte, especialmente o futebol. Na juventude, atuou como
jogador em diversos times da cidade e participou da fundação de clubes
tradicionais, como o Boa Vontade e o Liberdade.
Com o tempo, percebeu que sua maior contribuição seria fora
das quatro linhas. Tornou-se árbitro e rapidamente ganhou respeito por sua
postura equilibrada, pela firmeza nas decisões e pelo bom humor. Era conhecido
por conduzir as partidas com justiça e tranquilidade, características que o
tornaram uma figura querida entre jogadores e torcedores. Em 1980, foi eleito
árbitro do ano, reconhecimento simbólico de sua trajetória no esporte local.
Família, perdas e reconstrução
Em 1956, Du se casou com Nely Válio, com quem teve seis
filhos. Dois anos depois, em 1958, enfrentou a perda do pai, assumindo, ao lado
dos irmãos, a responsabilidade pelo Estúdio Cambusano. A fotografia passou a
ser, definitivamente, seu principal compromisso profissional.
A maior dor de sua vida veio em 1969, com a morte de Nely,
poucos dias após o nascimento da sexta filha. Viúvo, precisou reorganizar a
própria vida e cuidar sozinho das crianças. Nesse período, contou com o apoio
de Marlene, que auxiliava nos cuidados da família e, mais tarde, tornou-se sua
esposa. Com ela, Du teve mais dois filhos e reconstruiu sua história com
serenidade e força.
O encerramento de um ciclo e o legado
Durante mais de 45 anos, Du dedicou-se à fotografia,
ajudando a manter vivo o Estúdio Cambusano, que continuou sendo referência em
Jacareí até seu fechamento, em 1993. O encerramento das atividades marcou o fim
de uma era na cidade, em um momento de transição tecnológica e de novas formas
de produção de imagem.
Em 16 de janeiro de 1996, Du Cambusano faleceu aos 66 anos,
vítima de um infarto. Sua morte gerou grande comoção em Jacareí, especialmente
entre aqueles que conviveram com ele nos campos de futebol, no estúdio e no
cotidiano da cidade.
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| Foto: Du Cambusano estudiocambusano.wixsite.com/foto Reprodução |
Hoje, seu nome permanece vivo no Centro Esportivo Du
Cambusano, nas fotografias que ajudou a produzir e, principalmente, na memória
afetiva de quem o conheceu. Du não foi apenas fotógrafo ou árbitro. Foi um
homem simples, trabalhador e generoso, que ajudou a construir a identidade
cultural de Jacareí, tanto com suas imagens quanto com sua presença humana.
Visita ao túmulo de João Cambusano, Du Cambusano e
família
Ajude a preservar a história de sua cidade e do nosso país
Referências
João Baptista Cambusano. Disponível em:
<https://estudiocambusano.wixsite.com/foto/joaocambusano>. Acesso em: 7
jan. 2026.
Du Cambusano - Prefeitura Municipal de Jacareí.
Disponível em: <https://www.jacarei.sp.gov.br/du-cambusano/>. Acesso em:
7 jan. 2026.
João Baptista Cambusano Filho “Du” | foto. Disponível
em: <https://estudiocambusano.wixsite.com/foto/blank-bepsi>. Acesso em: 7
jan. 2026.



