Américo Jacomino: a história do homem que transformou o violão brasileiro e ficou conhecido como Canhoto

Poucos artistas tiveram um papel tão importante na valorização do violão no Brasil quanto Américo Jacomino. Conhecido nacionalmente pelo apelido de Canhoto, ele foi um dos grandes responsáveis por transformar um instrumento que durante muitos anos sofreu preconceito em símbolo de talento, técnica e expressão artística. Autodidata, inovador e dono de um estilo único, conquistou plateias, impressionou críticos e influenciou gerações de músicos que vieram depois dele.

Foto: Américo Jacomino/Imagem da Internet
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Em uma época em que o violão era frequentemente associado às camadas populares e pouco valorizado nos ambientes dedicados à música de concerto, Canhoto provou que o instrumento possuía enorme potencial artístico. Sua habilidade técnica, aliada à sensibilidade de suas interpretações e ao repertório de composições próprias, abriu caminhos para que o violão conquistasse espaço nos principais palcos brasileiros.

Embora tenha morrido precocemente, aos 39 anos, seu legado permanece vivo até hoje. Suas obras continuam sendo estudadas por violonistas, executadas em apresentações e admiradas por pesquisadores da música brasileira. Conhecer sua trajetória é entender um capítulo fundamental da história cultural do país.

As origens de Américo Jacomino

Américo Jacomino nasceu na cidade de São Paulo em 12 de fevereiro de 1889. Era filho dos imigrantes italianos Crescenzo Jacomino e Vincenza Gargiulo, que haviam deixado a região de Torre del Greco, próxima a Nápoles, em busca de melhores oportunidades no Brasil.

A família levava uma vida simples, baseada no trabalho e nos valores tradicionais trazidos da Itália. Desde cedo, Américo demonstrou curiosidade pela música, especialmente ao observar o irmão mais velho, Ernesto Jacomino, tocar violão. Foi justamente essa convivência que despertou seu interesse pelo instrumento que definiria toda a sua trajetória.

Apesar do entusiasmo do jovem, seu pai não via a música como profissão. Naquele período, muitos acreditavam que o violão era um instrumento sem prestígio, utilizado principalmente em rodas boêmias e serenatas. Temendo que o filho seguisse um caminho incerto, proibiu que ele se dedicasse ao aprendizado musical.

A proibição, entretanto, teve efeito contrário. Sempre que encontrava oportunidade, Américo praticava escondido. Sem professores e praticamente sem orientação técnica, passou a desenvolver sua própria maneira de tocar, aprendendo por tentativa, observação e muita persistência.

Um autodidata que criou um estilo próprio

A ausência de ensino formal nunca foi um obstáculo para Américo Jacomino. Pelo contrário, permitiu que desenvolvesse soluções originais para superar as dificuldades encontradas durante o aprendizado.

Como era canhoto, optou por tocar utilizando a mão esquerda para realizar o dedilhado, mas sem inverter a ordem das cordas do violão, algo considerado incomum até mesmo para a época. Essa característica exigia uma adaptação constante dos movimentos e acabou resultando em uma técnica completamente diferente daquela utilizada pela maioria dos músicos.

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Foi justamente essa forma singular de executar o instrumento que lhe rendeu o apelido de Canhoto. O nome ultrapassou a condição de simples apelido e tornou-se sua identidade artística, sendo reconhecido por admiradores em todo o Brasil.

Além da prática constante, ele também estudou teoria musical por iniciativa própria. Mesmo sem frequentar conservatórios ou escolas especializadas, conseguiu dominar conceitos de composição, harmonia e interpretação, construindo uma base sólida que lhe permitiu criar dezenas de obras autorais ao longo da carreira.

Os primeiros trabalhos antes do sucesso

Assim como muitos jovens de sua geração, Américo precisou trabalhar cedo para ajudar no sustento da família. Um de seus primeiros empregos foi como pintor de painéis decorativos, atividade bastante comum na São Paulo que crescia rapidamente no início do século XX.

Com dedicação, aperfeiçoou a técnica de pintura e participou da produção de cenários, letreiros e grandes painéis utilizados em estabelecimentos comerciais e residências da capital paulista.

Também trabalhou como vendedor de jornais nas ruas do bairro do Brás, convivendo diariamente com o movimento intenso de uma cidade que recebia milhares de imigrantes e experimentava um acelerado processo de urbanização.

Foi graças ao dinheiro economizado nesses empregos que conseguiu comprar seu primeiro violão. A aquisição do instrumento representou um momento decisivo em sua vida, pois permitiu que passasse a praticar diariamente e aperfeiçoasse sua técnica.

Cada hora livre era dedicada aos estudos musicais. A disciplina e a perseverança seriam determinantes para que, poucos anos depois, começasse a despertar a atenção de músicos e apreciadores da arte.

As primeiras apresentações públicas

O talento de Américo logo começou a chamar a atenção em pequenos encontros musicais realizados na capital paulista. Serenatas, reuniões entre amigos e apresentações informais serviram como laboratório para que desenvolvesse confiança diante do público.

Em 1904 realizou sua primeira apresentação pública. Ainda distante da fama que alcançaria anos depois, aquele momento representou o início oficial de sua carreira artística.

Pouco tempo depois conheceu o cantor Roque Ricciardi, que ficaria conhecido nacionalmente como Paraguassu. A amizade entre os dois nasceu durante uma seresta e se transformou em uma parceria duradoura, marcada por apresentações e projetos musicais ao longo de muitos anos.

Enquanto sua reputação crescia entre músicos paulistanos, Américo enfrentava mudanças importantes na vida pessoal. Com a morte dos pais, por volta de 1910, precisou assumir integralmente a responsabilidade pelo próprio sustento.

A partir desse momento, decidiu viver exclusivamente da música. A escolha representava um enorme desafio, já que poucos artistas conseguiam sobreviver apenas das apresentações e das atividades relacionadas ao violão.

Mesmo diante das dificuldades, não desistiu. Continuou realizando concertos, acompanhando cantores, compondo novas peças e conquistando espaço em um cenário artístico que ainda oferecia poucas oportunidades aos violonistas.

O início das gravações e a consolidação da carreira

O reconhecimento obtido nas apresentações abriu as portas para um passo decisivo em sua trajetória. Em 1912, Américo Jacomino iniciou sua carreira fonográfica gravando seus primeiros discos pela Odeon, uma das gravadoras mais importantes do país naquele período.

As gravações permitiram que seu trabalho alcançasse públicos muito além dos teatros e salões onde costumava se apresentar. Pela primeira vez, admiradores de diferentes regiões do Brasil puderam conhecer seu estilo, suas composições e a sonoridade marcante de seu violão.

A repercussão foi extremamente positiva. A cada novo lançamento, seu nome ganhava mais notoriedade, consolidando sua posição entre os músicos mais respeitados da época. O sucesso também contribuiu para ampliar a procura por apresentações ao vivo, tornando sua agenda cada vez mais intensa.

Ao mesmo tempo, Américo passou a dedicar maior atenção à composição, criando valsas, dobrados, marchas, choros e outras obras que revelavam sua criatividade e profundo conhecimento musical.

O recital que mudou a história do violão brasileiro

O ano de 1916 marcou definitivamente a carreira de Américo Jacomino. Naquele período, o violão ainda enfrentava forte resistência nos meios musicais mais tradicionais. Muitos críticos consideravam o instrumento inadequado para apresentações de concerto, reservando esse espaço ao piano, ao violino e a outros instrumentos de origem europeia.

Foi nesse cenário que Canhoto protagonizou um dos acontecimentos mais importantes da história do violão brasileiro. Ele realizou um recital no Salão Nobre do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, uma das instituições culturais mais respeitadas do país.

O evento reuniu músicos, intelectuais, jornalistas e admiradores da música erudita. Além da apresentação, a programação contou com palestras sobre a importância do violão e declamações de poesias, demonstrando que aquele não era apenas um concerto comum, mas uma tentativa de elevar o prestígio do instrumento.

Quando Américo começou a tocar, a reação do público foi imediata. Sua técnica refinada, a precisão dos movimentos e a riqueza sonora surpreenderam até mesmo aqueles que não acreditavam no potencial artístico do violão.

A crítica especializada destacou especialmente a beleza de seu vibrato, efeito que se tornaria uma das principais marcas de sua carreira. Durante a execução das obras, não apenas sua mão vibrava sobre as cordas, mas todo o corpo acompanhava a interpretação, transmitindo emoção e intensidade às apresentações.

O sucesso daquele recital repercutiu em diversos jornais da época. Muitos críticos reconheceram que estavam diante de um artista extraordinário, capaz de extrair do violão uma sonoridade jamais imaginada.

A partir daquele momento, Américo Jacomino passou a ser convidado para se apresentar nos principais teatros do Brasil, consolidando-se definitivamente como um dos maiores músicos de sua geração.

O artista que lotava teatros

Depois do recital de 1916, sua carreira ganhou uma dimensão ainda maior.

Os concertos passaram a atrair um público numeroso, composto tanto por apreciadores da música popular quanto por membros da elite paulistana. Em uma época sem televisão, internet ou rádio de grande alcance, seus recitais tornavam-se acontecimentos culturais bastante aguardados.

Há relatos de que, certa vez, Américo realizou um concerto praticamente ao lado de um espetáculo da famosa bailarina Isadora Duncan, uma das artistas mais prestigiadas do mundo naquele período. Mesmo diante de uma concorrência tão importante, o recital de Canhoto reuniu grande público, demonstrando o enorme prestígio que havia conquistado.

Cada nova apresentação fortalecia sua reputação como concertista e ajudava a reduzir o preconceito existente contra o violão.

Pouco a pouco, o instrumento deixava de ser visto apenas como acompanhante de serenatas para ocupar lugar de destaque nos palcos brasileiros.

O compositor de obras que atravessaram gerações

Além de excelente intérprete, Américo Jacomino destacou-se como compositor.

Em 1917 criou algumas das peças mais importantes de sua carreira, obras que permanecem conhecidas até os dias atuais.

A mais famosa delas foi a valsa Abismo de Rosas. Inicialmente composta com o título Acordes do Violão, a obra ganhou posteriormente o nome que a consagraria e passou a integrar o repertório obrigatório de inúmeros violonistas brasileiros.

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Com melodia delicada, grande riqueza harmônica e elevado grau de dificuldade técnica, a composição tornou-se um verdadeiro símbolo do violão nacional.

No mesmo período também nasceram a Marcha Triunfal Brasileira e a Marcha dos Marinheiros, escrita em homenagem à Marinha do Brasil.

Essas obras demonstravam a versatilidade de Canhoto como compositor, capaz de transitar entre diferentes estilos musicais mantendo sempre sua identidade artística.

Ao longo da carreira, produziria mais de 150 composições, incluindo valsas, tangos, choros, maxixes, cateretês, dobrados e diversas outras peças que enriqueceram o repertório da música brasileira.

O pioneirismo na música caipira

No final da década de 1910, Américo Jacomino voltou a demonstrar sua capacidade de inovar.

Enquanto muitos músicos concentravam suas atividades apenas nos concertos, ele participou da criação de um dos primeiros conjuntos organizados de música caipira do Brasil.

O grupo ficou conhecido como Trio Viterbo, Abigail e Canhoto.

A formação reunia o ator cômico Viterbo de Azevedo, a jovem cantora Abigail e o próprio Américo Jacomino ao violão.

A proposta era levar ao público um espetáculo que misturava música, humor e elementos da cultura popular brasileira.

A iniciativa foi considerada bastante moderna para a época e ajudou a ampliar o alcance da música caipira em diversas regiões do país.

Infelizmente, o projeto teve um fim trágico.

Durante uma turnê realizada em Poços de Caldas, Viterbo de Azevedo foi assassinado, encerrando definitivamente as atividades do trio.

Mesmo assim, a experiência demonstrou mais uma vez o espírito inovador de Canhoto, sempre disposto a explorar novos caminhos para a música brasileira.

Viagens pelo interior e o encontro que mudou sua vida

Durante toda a década de 1920, Américo Jacomino manteve intensa agenda de apresentações.

Seus recitais passaram por inúmeras cidades do interior paulista e também por outros estados brasileiros.

Foi justamente durante uma dessas viagens que aconteceu um dos momentos mais importantes de sua vida pessoal.

Ao realizar uma apresentação em Itapetininga, conheceu Maria Vieira de Moraes.

O relacionamento evoluiu rapidamente e resultou em casamento.

A união trouxe estabilidade à vida do músico e marcou o início de uma nova fase.

Depois de casados, o casal mudou-se para São Carlos, cidade estrategicamente localizada entre a capital paulista e diversas localidades onde Américo costumava se apresentar.

Ali nasceu seu filho Luís Américo Jacomino, que mais tarde também seguiria carreira como violonista.

A Casa Carlos Gomes

Durante o período em que viveu em São Carlos, Canhoto decidiu investir também no comércio musical.

Fundou a Casa Carlos Gomes, estabelecimento especializado na venda de instrumentos musicais, partituras e discos.

A loja tornou-se ponto de encontro para músicos e apreciadores da música da região.

Além de administrar o negócio, Américo continuava realizando viagens constantes para cumprir sua agenda de apresentações, gravar novos discos e divulgar suas composições.

Mesmo dividindo seu tempo entre os palcos, a família e a atividade comercial, manteve elevado nível artístico, produzindo novas obras e conquistando cada vez mais admiradores.

Naquela altura, seu nome já era reconhecido em praticamente todo o país como referência absoluta quando o assunto era violão.

O retorno à capital e uma nova fase da carreira

Depois de alguns anos vivendo em São Carlos, Américo Jacomino decidiu retornar à cidade de São Paulo em 1925. Embora continuasse realizando apresentações pelo interior paulista e em outras regiões do Brasil, a capital oferecia melhores oportunidades para gravações, concertos e divulgação de seu trabalho.

Naquele momento, o cenário musical brasileiro passava por importantes transformações. A indústria fonográfica evoluía rapidamente, novas tecnologias de gravação começavam a surgir e o rádio iniciava sua expansão como um dos principais meios de comunicação do país.

Sempre atento às novidades, Canhoto acompanhou essas mudanças de perto e participou de alguns dos momentos mais importantes dessa nova fase da música brasileira.

As gravações elétricas e a chegada do rádio

A partir da metade da década de 1920, as antigas gravações realizadas por meio do sistema mecânico começaram a ser substituídas pela tecnologia elétrica, que proporcionava maior fidelidade sonora.

Américo Jacomino esteve entre os primeiros músicos brasileiros a utilizar esse novo recurso.

Suas gravações dessa época impressionam até hoje pela qualidade técnica e pela riqueza de detalhes presentes na interpretação. Muitos especialistas consideram esses registros alguns dos melhores documentos sonoros da história do violão brasileiro.

Além do estúdio, Canhoto também passou a se apresentar na recém-inaugurada Rádio Educadora Paulista, emissora que posteriormente se tornaria a Rádio Gazeta.

Em um período em que o rádio começava a conquistar espaço nos lares brasileiros, suas apresentações contribuíram para ampliar ainda mais sua popularidade e aproximar o violão de um público cada vez maior.

O concurso que consagrou o Rei do Violão Brasileiro

Em fevereiro de 1927, o jornal Correio da Manhã promoveu no Rio de Janeiro um concurso denominado O Que É Nosso, criado com o objetivo de valorizar a música brasileira e destacar seus principais intérpretes.

Naquele evento histórico, Américo Jacomino tornou-se o primeiro violonista especializado em música instrumental a participar de uma competição desse tipo.

Apesar da importância do concurso, apenas três participantes compareceram.

Canhoto dividiu o palco com o violonista Manoel de Lima, conhecido como Manoelito, e com o conjunto Turunas da Mauricéia.

Ao final das apresentações, Américo foi o grande vencedor, recebendo o Prêmio João Pernambuco, uma das maiores homenagens concedidas naquele evento.

A conquista reforçou definitivamente sua posição como principal nome do violão brasileiro.

Depois desse reconhecimento nacional, jornais passaram a chamá-lo de Rei do Violão Brasileiro, título que refletia o enorme prestígio alcançado durante sua carreira.

O mestre de uma nova geração

Além de concertista e compositor, Américo Jacomino desempenhou importante papel como professor.

Seu conhecimento técnico despertava interesse de músicos iniciantes e profissionais, fazendo com que centenas de alunos procurassem suas aulas.

Segundo registros da época, ele chegou a orientar mais de duzentos estudantes simultaneamente.

Entre eles estava Aníbal Augusto Sardinha, jovem que anos mais tarde seria conhecido simplesmente como Garoto.

Considerado um dos maiores violonistas da história do Brasil, Garoto reconheceria a importância da influência exercida por Canhoto em sua formação musical.

Outro aspecto importante de sua atuação foi o incentivo constante ao estudo sério do violão.

Enquanto muitos músicos aprendiam apenas de maneira informal, Américo defendia dedicação, disciplina e aperfeiçoamento técnico, contribuindo para elevar o nível artístico das novas gerações.

Os espetáculos Noites Brasileiras

Ainda em 1927, Canhoto organizou dois grandes espetáculos intitulados Noites Brasileiras.

As apresentações aconteceram no Teatro Boa Vista e também no Teatro Municipal de São Paulo, reunindo artistas ligados à valorização da música nacional.

Entre os participantes estavam integrantes do conjunto Turunas Paulistas, grupo que ajudava a divulgar diferentes manifestações da cultura brasileira.

Esses espetáculos reforçavam uma característica marcante da carreira de Américo Jacomino: seu compromisso com a divulgação da música produzida no país.

Muito antes de movimentos nacionalistas ganharem força nas décadas seguintes, ele já defendia a valorização dos compositores brasileiros e acreditava que o violão poderia representar a identidade musical nacional.

A vida além dos palcos

Mesmo vivendo intensamente a carreira artística, Américo também assumiu outras responsabilidades.

Em 1927 foi nomeado lançador de impostos da Prefeitura de São Paulo.

O cargo representava estabilidade financeira, mas não significou o abandono da música.

Continuou realizando concertos, compondo, gravando discos e ministrando aulas, conciliando as duas atividades até o fim da vida.

Essa rotina intensa demonstrava seu enorme comprometimento com a profissão e a paixão que nutria pelo violão.

Os últimos meses

Nos últimos anos de vida, Américo Jacomino começou a enfrentar problemas de saúde relacionados ao coração.

Mesmo recebendo recomendações médicas para diminuir o ritmo de trabalho, permaneceu ativo praticamente até seus últimos dias.

Durante uma sessão de gravação chegou a passar mal, sendo atendido imediatamente.

Ainda assim, insistiu em continuar cumprindo seus compromissos profissionais.

Seu desejo de permanecer nos palcos era maior do que qualquer dificuldade física.

Infelizmente, seu estado de saúde piorou rapidamente.

Após alguns dias internado no Hospital Santa Catarina, em São Paulo, Américo Jacomino faleceu no dia 7 de setembro de 1928, data em que o Brasil comemorava a Independência.

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Ele tinha apenas 39 anos de idade.

Sua morte provocou grande comoção entre músicos, admiradores e jornalistas.

O Brasil perdia não apenas um grande violonista, mas o principal responsável por transformar a imagem do instrumento perante o público e a crítica.

Seu corpo foi sepultado no Cemitério do Araçá, na capital paulista.

Um legado que atravessa gerações

Embora sua carreira tenha durado pouco mais de duas décadas, a influência de Américo Jacomino permanece viva até hoje.

Ele ajudou a romper preconceitos que cercavam o violão, demonstrando que o instrumento possuía riqueza técnica suficiente para ocupar espaço nos grandes teatros e salas de concerto.

Também abriu caminho para que novos músicos construíssem carreiras dedicadas exclusivamente ao violão instrumental.

Suas gravações continuam sendo estudadas por pesquisadores, professores e concertistas interessados em compreender a evolução da técnica violonística brasileira.

Diversos artistas consagrados reconheceram sua importância, entre eles Dilermando Reis, Antônio Rago, Mozart Bicalho, Ronoel Simões e o próprio Garoto, todos influenciados, direta ou indiretamente, pela obra de Canhoto.

Mais de um século depois de seu nascimento, suas composições continuam presentes em recitais, festivais, conservatórios e gravações realizadas por violonistas de diferentes gerações.

Obras como Abismo de Rosas, Marcha dos Marinheiros, Marcha Triunfal Brasileira, Olhos Feiticeiros e tantas outras permanecem como referências obrigatórias do repertório brasileiro.

Seu trabalho mostrou que talento, perseverança e inovação são capazes de transformar não apenas uma carreira, mas toda a história de um instrumento.

Por esse motivo, Américo Jacomino continua sendo lembrado como um dos maiores pioneiros da música brasileira e um dos artistas mais importantes da história do violão nacional.

Visita ao túmulo do violonista Américo Jacomino


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Referências:

DOS, C. compositor e músico brasileiro (1889-1928). Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Canhoto_(violonista)>. Acesso em: 2 jul. 2026.

‌VIA MUSICAL. Américo Jacomino - Canhoto. Disponível em: <https://www.viamusical.com.br/cursos/historia-do-violao/americo-jacomino-canhoto>. Acesso em: 2 jul. 2026.

Américo Jacomino. Disponível em: <https://musicabrasilis.org.br/pt-br/compositores/americo-jacomino/>. Acesso em: 2 jul. 2026.

‌BONAVIDES, M. RELEMBRANDO AMÉRICO JACOMINO (CANHOTO). Disponível em: <https://www.marcelobonavides.com/2016/09/canhoto-americo-jacomino-88-anos-de.html>. Acesso em: 2 jul. 2026.

‌INSTITUTO ITAÚ CULTURAL. Américo Jacomino. Disponível em: <https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/47051-americo-jacomino>. Acesso em: 2 jul. 2026.

OBRAS PARA VIOLÃO DE AMÉRICO JACOMINO, “CANHOTO” - Discos do Brasil. Disponível em: <https://discografia.discosdobrasil.com.br/discos/obras-para-violao-de-americo-jacomino-canhoto>. Acesso em: 2 jul. 2026.


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